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Prêmios Literários Brasil / 2017
Prêmios Literários Brasil / 2017

CANTOS E NOMES PRÓPRIOS

 

Com a divulgação do Livro do Ano do Prêmio Jabuti, na semana passada (em dezembro), as premiações literárias de 2017 no Brasil foram encerradas. Apresentamos aqui um balanço dos três títulos que foram agraciados com as principais distinções na área de ficção.

 

Por Alexandre Lucchese

alexandre.lucchese@zerohora.com.br

 

Carlos André Moreira

carlos.moreira@zerohora.com.br

 

KAREN, de Ana Teresa Pereira

Vencedor do Prêmio Oceanos

 

 

Apesar de não ter nenhuma obra publicada no Brasil, a portuguesa Ana Teresa Pereira foi destaque na semana passada (em dezembro/2017) por ganhar um dos mais celebrados prêmios literários promovidos no país. Ela foi a grande vencedora do Oceanos, promovido pelo Itaú Cultural, recebendo R$ 100 mil pelo romance KAREN – em 2017, o prêmio ampliou sua abrangência para todos os livros publicados em língua portuguesa, em versão impressa e digital.

 

KAREN ganhará uma edição brasileira no próximo ano (2018), pela editora Todavia. Além de ter mais de 20 livros publicados em seu país natal, Ana Teresa já foi traduzida para o inglês, francês, alemão, italiano e eslovaco, entre outros idiomas.

 

Apesar da vasta obra, a autora não aparece com frequência na imprensa de Portugal. Tem uma vida discreta, isolada na cidade de Funchal, onde nasceu, dá poucas entrevistas e não pousa para fotos. As imagens da autora que circulam atualmente não antigas – hoje, ela tem 59 anos.

 

No romance premiado, uma jovem acorda em um quarto desconhecido, mas vagamente familiar. Ela é tratada por todos que a rodeiam no local com intimidade, mas não os reconhece. É como se a protagonista tivesse sofrido uma amnésia ou de repente passasse a viver no corpo de outra pessoa.

 

OUTROS CANTOS, de Maria Valéria Rezende

Ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura

 

 

Lançado em 20116, o romance OUTROS CANTOS foi o grande vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura deste ano – em janeiro, já havia recebido o Casa de Las Américas. A escritora paulista Maria Valéria Rezende, 74 anos, freira com um passado de lutas sociais, reaproveita parte de sua biografia em um romance que faz um balanço da experiência da geração de militantes de esquerda que viveu sob a ditadura militar.

 

OUTROS CANTOS é o relato de Maria, professora aposentada que, em uma viagem de ônibus em direção ao vilarejo de Olho D’Água, no sertão nordestino, recupera sua infância, sua formação e a passagem transformadora que teve por aquela mesma região 40 anos antes, como educadora do Mobral.

 

Maria também revê com os olhos da maturidade as surpresas reservadas à então jovem professora, que se via como uma libertadora com o poder da palavra e foi apresentada ao saber intuitivo e rústico, mas não menos válido, da população local. É um livro que ficcionaliza sob uma base pessoal. A personagem Maria divide com sua autora o nome, a profissão, a passagem pelo Sertão – freira ligada à Congregação de Nossa Senhora, Maria Valéria integrou a Juventude Estudantil católica e passou parte de sua vida trabalhando com educação popular em diferentes rincões do Brasil, em especial do interior pernambucano.

 

MACHADO, de Silviano Santiago

Livro do Ano no Jabuti

 

 

Ao reunir crítica literária, biografia e ficção, Silviano Santiago escreveu um dos mais celebrados livros de 2017. na semana passada (em dezembro), MACHADO foi consagrado no Prêmio Jabuti como Livro do Ano, um dia após ter ficado em segundo lugar na premiação do Oceanos.

 

A narrativa explora a vida de Machado de Assis (1839-1908), mas Santiago evitou o rigor da não ficção em sua escrita, optando por classificar o resultado como um romance. Mineiro radicado no Rio, o escritor de 81 anos é considerado um dos maiores críticos do país, além de ser autor de mais de uma dezena de títulos de ficção. Em MACHADO, Santiago dá relevo a livros menos populares do Bruxo do Cosme Velho, como MEMORIAL DE AIRES (1908), e se debruça sobre aspectos pouco explorados da vida do autor de DOM CASMURRO (1899). Um exemplo é a epilepsia de Machado: para o autor, os críticos não trataram de forma adequada a doença como motor para a criação literária fantástica do biografado.

 

O livro também escapa da ficção por tratar de diferentes hipóteses sobre as fases da vida de Machado, não se atendo apenas aos registros factuais. Fotografias, pinturas, charges, desenhos são reproduzidos, mas como ponto de partida para o exercício de reflexão sobre a vida e a obra do personagem.

 

Fonte: Zero Hora/Segundo Caderno em 04/12/2017