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Christianne Rose Silva Barros
Christianne Rose Silva Barros

ENTREVISTA: Christianne Rose Silva Barros

 

Sua Biografia:

Nascida em Maceió, graduada em Direito pela UFAL e pós-graduada em Direito Penal pelo Instituto Processus de Brasília, a autora é servidora pública federal. Seu maior papel, no entanto, é ser mãe. Compreendendo a importância de deixar os melhores filhos para o mundo, empenha-se no exercício da difícil arte de educar e nos desafios envolvendo cada aspecto comportamental desse longo processo de criação.

 

 

Sua Obra:

Partindo da premissa de que filhos não nascem com manuais de instrução, este livro traz algumas dicas de comportamento direcionadas aos pais. De assuntos mais corriqueiros, como o trato com crianças desobedientes ou mimadas, a assuntos que requerem um potencial maior de conscientização, a exemplo da forma como agir com a descoberta de um filho homossexual. São dicas valiosas que não são ensinadas nos cursos de gestação, mas foram extraídas de livros, palestras, artigos e, principalmente, da vivência na criação dos filhos e da observância ao que os cerca. Apesar de cada família ter seu próprio contexto, há conceitos comuns necessários para a formação de uma geração melhor, composta por indivíduos equilibrados emocionalmente e responsáveis pela evolução do mundo, em seu conceito amplo ou restrito. Alguns desses conceitos são ventilados nessa obra.

O livro está a venda na Livraria Leia-Livros e poderá ser adquirido através do link:

 

http://www.leia-livros.com/product-page/filhos-desafios-da-cria%C3%A7%C3%A3o

 

 

Como surgiu a escritora Christiane Rose Silva Barros?

Sempre amei o português, assim como a matemática. Escrever desde cedo foi uma paixão, que iniciei nos papéis de carta e diários, e, hoje se traduz neste livro. Como sou uma eterna inconformada com a criação que se dá atualmente às crianças, fato que intensificou-se depois que tive filhos, resolvi transformar minhas inquietudes e indignações em conselhos. Não sou o maior exemplo de mãe, mas procuro no dia a dia a correção e a evolução nesta árdua tarefa de ensinar, razão pela qual resolvi traçar as direções que tenho tomado e, de uma forma ou de outra, tem apresentado bons resultados.

 

 

Fale sobre o seu livro e os desafios da criação.

Meu menino é o terceiro filho que resolvi ter. Nele resumo alguns dos inúmeros desafios enfrentados na tarefa de educar filhos. Trago alguns conhecimentos que adquiri estudando outros autores, exponho algumas situações vividas e tento passar para o leitor, de forma quase pessoal, as dificuldades enfrentadas e meus pontos de vista, com relação aos assuntos debatidos nos seus capítulos. De maneira bastante realista, traço conceitos aprendidos ao longo dos anos e metodologias aplicadas para alcançar uma boa criação.

 

Jovens e adolescentes rebeldes e problemáticos. Ainda é possível recuperá-los? O que a família deve fazer?

Por mais que o período de formação da personalidade de um indivíduo se dê nos seus primeiros anos de vida, nunca é tarde para aprender com o erro e tentar aparar arestas. Acredito que não exista um sábio capaz de afirmar que conduziu a educação do seu filho, de forma tão brilhante, a ponto de não ter errado em alguns aspectos. Sempre erramos! A diferença está nos que são capazes de reconhecer o erro e terem motivação para corrigi-lo. Até o fim de nossas vidas somos aptos a aprender e ensinar, então, qualquer pai e mãe é capaz de mudar o rumo de sua criação em busca do crescimento e evolução emocional do seu filho.

 

 

Você é servidora pública federal atuando no Ministério Público do Trabalho, que tem a atribuição de fiscalizar a legislação trabalhista. Há, ainda, muitas crianças trabalhando no país, quando deveriam estar na escola? De quem é a responsabilidade?

Crianças perdendo sua infância e atreladas ao trabalho, sob a falsa alegação de que estão melhores laborando do que roubando, é o que impede o fim do trabalho infantil. Enquanto a sociedade não acordar para o grande perigo de fazer alguém perder sua infância, a situação do Brasil permanecerá a mesma. Temos que ter a consciência, de que não apenas o poder público e as instituições privadas são responsáveis por afastar as crianças do trabalho. Cabe principalmente às famílias e a todos nós, enquanto cidadãos conscientes, combater este tipo de trabalho e dar às crianças o prazer do lúdico, das brincadeiras, do encanto, no instante de vida em que precisam, acima de tudo, de proteção. E isto se faz a partir de pequenos gestos, a exemplo de nos negarmos a adquirir qualquer produto comercializado por um menor ou aceitarmos qualquer forma de trabalho vinda de uma criança.

 

 

Pais que não dispõem de tempo para os filhos. Que trabalham e quando em casa, acabam se envolvendo com a internet, seu celular ou até mesmo, com tarefas domésticas, deixando de dar atenção para a criança. Qual os efeitos colaterais desse abandono no próprio lar?

A falta de conexão afetiva com um filho leva a problemas de inúmeras dimensões, desde o afastamento natural do convívio com a família à fuga para vícios. Alimentar, dar banho, dar brinquedos e levar à escola são atribuições mínimas perto das maiores obrigações de um pai. Ser pai e mãe, dando real importância para esses conceitos é dedicar seu tempo, sua atenção, seus conselhos, seu verdadeiro amor ao seu filho. E isto não se dá apenas em postagens de fotos nas redes sociais. Dar importância a um filho é olhar nos seus olhos e ser capaz de identificar onde estão as carências, os problemas, as dificuldades e as coisas que os fazem realmente felizes.

 

 

Como os pais devem se comportar quando descobrem que seu filho e/ou filha é um transgênero?

No livro trago um capítulo destinado à reação de um pai na descoberta de um filho homossexual. Obviamente a abordagem é mais ampla, incluindo os transgêneros, transexuais, travestis e os demais que sofrem o preconceito, decorrente de suas orientações sexuais e identidades de gênero. Ser pai não significa “ser pai daquele que aceito ter como filho”. Ser pai é ser aquele alguém que servirá de base e de escape para os momentos em que a vida disser “não”. Pode haver preconceito de grande parte da sociedade, que infelizmente não se encontra apta à evolução, mas o preconceito de um pai e de uma mãe em face de seu filho é uma falta gravíssima. Por essa razão, busco esclarecer nesse capítulo que o homossexualismo não é opção e que verdadeiros pais precisam se desprender de conceitos, infelizmente muitas vezes trazidos até por religiões, a fim de proporcionarem o amor necessário para que seu filho tenha em seu lar a sensação de pertencimento e amparo. Só assim ele terá equilíbrio para vencer as injustiças e os preconceitos mundanos, que só nos afastam do caminho do crescimento.

 

 

E o uso de maconha por adolescentes, sem querer entrar na discussão sobre outras drogas, como devem proceder os pais, ao encontrarem um “baseado” na mochila do filho?

Não entrar em desespero. Buscar entender o porquê do filho ter recorrido à droga é o primeiro passo. Se o canal de comunicação não foi estabelecido desde a infância e você possui um filho que se recusa a conversar, busque ajuda com amigos próximos a ele, que tenham condições de servirem de ponte e maturidade para ajudá-lo. Obviamente, buscar ajuda de profissionais e grupos de apoio é fundamental. O Grupo Amor Exigente, por exemplo, faz reuniões gratuitas em vários estados do Brasil. Basta buscar em seu site os locais onde se situam em seu estado.  https://www.amorexigente.org.br/localizae/

 

 

De vez em quando, acontece de pais reclamarem de livros adquiridos pela escola, ou sugerido para leitura, por acharem inadequado para seus filhos. Por uma ou outra passagem, frase ou palavra mencionada. Porém, tratando-se de livro clássico, que por anos acompanhou alunos, e de repente é considerado impróprio. A que se deve isso?

Dependo do tipo de apontamento como inadequado. Às vezes, a crítica feita e espalhada é tão cruel que sequer traduz uma verdadeira inadequação. Cito como exemplo, livros que trazem casais homossexuais educando seus filhos. Onde há erro nisso? Na minha concepção, o preconceito existe justamente porque tratam o assunto como proibido e obscuro. Talvez se este conceito de família fosse trazido com mais naturalidade desde a infância, não haveria tanto preconceito enraizado nas famílias. Deve-se ter cuidado ao apontar o que é, de fato, inadequado, para não tornar como inadequação algo simplista e necessário à formação do cidadão. O mais intrigante é que choca mais uma cena num livro de dois adultos do mesmo sexo de mãos dadas indicando uma união, do que uma imagem de alguém dançando “na boquinha da garrafa”, com insinuações de libertinagem. Mera hipocrisia, não?!

 

 

Estamos vivendo uma “onda”, um momento de conservadorismo, ou os pais deram-se conta de que devem prestar mais atenção à escola de seus filhos?

Acredito que as redes sociais e a internet em geral acabaram intensificando a onda do conservadorismo. Pais devem observar o que se ensina na escola de seus filhos, sim, mas no sentido de verem se valores e ética estão sendo distorcidos, ou violências estão sendo instigadas. Fora isso, devem ter a consciência de que compete aos pais educarem, orientarem, ensinarem seus valores e princípios, e cabe à escola ensinar as matérias. Um complementa o outro, não cabendo à escola substituir as famílias em suas obrigações.

 

 

Alguns pais esquecem de que seus filhos não nascem sabendo? Que é preciso ensiná-los desde o nascimento?

Absolutamente tudo que está ao seu alcance você deve ensinar ao seu filho. Das normas básicas às maiores lições de vida. E a formação dele dependerá quase que exclusivamente do seu empenho nessa orientação. Somos os maiores responsáveis por moldar o comportamento dos nossos filhos. Isto não é obrigação de psicólogo, da escola, do professor, de ninguém. Se seu filho é mal comportado, observe onde você está errando, em vez de buscar atribuir culpa a outro alguém.

 

 

Por que você recomenda a leitura de seu livro?

Meu livro é algo mais parecido com um papo descontraído e direto. Em muitos momentos falo na primeira pessoa, dirijo-me ao leitor como se estivéssemos tendo um diálogo. Não espero concordância em tudo nem reconhecimento, apenas senti necessidade de passar o pouco que sei e estudei, para pais de primeira viagem ou para aqueles que têm consciência que precisam aprender cada vez mais, para deixarem os melhores filhos para o mundo. Meus filhos serão estes? Não sei. Só me esforço para ser cada dia melhor, por mim e por eles.

 

Deixe uma mensagem para seus futuros leitores.

Sei que em muitas passagens haverá críticas e disso não pretendo fugir. Sei que em muitos momentos parecerei radical e pouco moderna, isso eu reconheço que sou. Não sou adepta à criação de antigamente no sentido de aprovar palmadas, mas trago muitos conceitos ensinados por mais pais que pretendo aplicar nos meus filhos. Se você, leitor, concordará com tudo o que escrevi, não espero que isto ocorra. Só leia e tente abrir a mente para a importância de modificarmos algumas concepções recentes de criação, alguns métodos provenientes da geração Y para os quais os pais precisam acordar. Não deixemos o celular ser o calmante dos nossos filhos, por exemplo. Vamos juntar forças em busca de uma criação que não seja tão a versa à antiga e consiga trazer bons frutos. Se conseguirei provocar grandes reflexões, não sei. Que eu consiga, ao menos, trazer você para a compreensão de que filhos são cristais, que após quebrados dificilmente voltarão à formação inicial. Buscando a maturidade emocional deles você dará um grande passo para a criação de alguém com grandes possibilidades de ser feliz, o que está acima de ser profissionalmente realizado.

 

Nell Morato/21.12.2018